Um arquipélago ao sul do continente de Alburg, formado por quatro ilhas principais (Kondor, Akamine, Haraguni e Sakay) e dezenas de pequenas ilhotas é o mais antigo reino da porção ocidental de Kallian.

Ninguém sabe precisar quando o reino se formou embora estudiosos kondorianos investiguem vestígios que expliquem suas origens a lenda dos Sete Espíritos do Dragão ainda é muito usada quando querem dar o assunto por encerrado.

Nessa lenda o mundo existe graças ao deus-dragão que criou sete raças principais extraídas de seus sete espíritos.

Os humanos são a determinação; os elfos, o orgulho; os anões, a fúria; os orcs, o medo; os zelotes, o poder; o povo cobra, o espírito oculto; e a nobreza era representada por uma raça mítica de portadores da herança draconiana.

Quando os povos foram lançados à terra começaram a lutar uns contra os outros e isso desagradou ao deus-dragão que baniu as raças que considerou impuras.

E assim os elfos e orcs foram mandados para além do mar das sombras, para terras de dor e sofrimento. Os anões por sua fúria também foram banidos, entretanto um pequeno grupo implorou clemência jurando que controlariam sua fúria, e foram poupados.

Por várias eras houve paz até que os zelotes investiram com seu poder contra seus senhores e destruíram a raça nobre por completo.

Tamanha foi a tristeza do deus-dragão que se afastou do mundo que já não admirava, mas para não abandonar seus súditos fieis deixou um homem imbuído do poder de falar com a divindade, somente ele, e sua descendência poderiam falar com o deus. Surgiu o primeiro Imperador.

A primeira decisão do Imperador foi punir os zelotes, condenando-os ao exílio assim como os elfos, orcs e anões (na maioria).

Já os estudiosos chegaram à conclusão mais plausível de que grupos de navegadores do continente de Arania se aventuraram pelos mares revoltos muito antes de Alburg e usaram as ilhas como um entreposto para chegar ao continente, onde formaram reinos de elfos, anões e orcs.

Quanto aos zelotes, não há registros precisos, mas de fato houve uma revolução dos escravos zelotes contra seus senhores que, diferente do que dizem as lendas, não possuíam nada de nobre, ao contrário eram cruéis e assassinos.

O período da revolução coincidiu com o surgimento do Imperador realmente e, embora não seja possível precisar a data em que esses eventos ocorreram, é provável que seja pelo menos há dois mil anos.

O exílio dos zelotes também não teve nenhuma interferência divina, o mais provável é que tenha sido uma manobra política. Por um lado seria arriscado manter um bando de escravos revoltados e com seus recém descobertos poderes psíquicos por perto. Por outro, o povo cobra, frequentemente escravizados pelos humanos de Kondor, poderiam, por influência, se rebelar contra seus senhores.

Da mesma forma o extermínio sistemático da chamada raça nobre, não foi obra dos zelotes, mas provavelmente dos partidários do Imperador que havia acabado de surgir, dessa forma num único movimento conseguiriam estabelecer o regime ditatorial que o Imperador impunha e eliminar qualquer chance de resistência ou contestação.

Talvez por essa manobra política não haja qualquer registro escrito da história de Kondor.

A falta de registros confiáveis levou o povo a manter sua historia através de tradição oral, frequentemente alterando pequenos detalhes aqui e ali, que terminou por formar lendas pouco precisas ou até opostas para um mesmo fato.

Os feiticeiros se valeram de uma dessas lendas para se levantarem proclamando-se os portadores da herança draconiana e por direito governantes da ilha de Haraguni, onde, segundo as lendas viveu a raça nobre antes do extermínio causado pelos zelotes.

A ânsia pelo poder levou os feiticeiros a iniciar uma das mais sangrentas guerras do arquipélago, dominando Haraguni completamente e avançando à Sakay. Quando a situação chegou a este ponto o Imperador decidiu intervir.

Novamente lendas exageradas falam que o Imperador Yamashita, que na verdade é um dragão real, surgiu nos céus e ordenou que os líderes da revolução se apresentassem a ele.

Diante de tal magnitude do Imperador, os líderes se apresentaram e foram considerados desonrados, não apenas eles, mas todos os feiticeiros dali em diante seriam párias, todos considerados sem casta. Impuros.

Envergonhados os dez líderes se prostraram de joelhos diante de Yamashita e, implorando seu perdão e buscando recuperar sua honra, sacaram as espadas e cometeram suicídio.

Assim, considerados honrados por seu sacrifício, os dez feiticeiros revoltosos deram inicio a um costume que perdura até os dias de hoje em Kondor, que é o ritual de seppuku.

No ano de 234 CD navios mercantes de Torkstone chegaram às ilhas, logo após se perderem numa tempestade e a partir desta data os reinos do continente passam a reconhecer Kondor e os registros deixam de serem lendas para serem documentos.

Um ano depois da chegada do primeiro torkestoneano às ilhas é assinado entre os dois reinos um contrato de comércio.

Governo e Política

O arquipélago é governado com mão de ferro pelo Imperador Yamashita. Sua palavra nunca é questionada e suas ordens são obedecidas com rigor religioso.

Não é para menos, existe uma aura de divindade e misticismo em torno da figura do Imperador. Ele pertence ao clã do Dragão, mas é dito que Yamashita é um dragão verdadeiro e o único capaz de se comunicar com Kiros, o deus dos kondorianos.

Há dois mil anos Yamashita é o Imperador, não uma linhagem com vários sucessores, mas sim o mesmo indivíduo, é claro que isso ajuda na aura de divindade atribuída a ele, e o fato de não ser permitido olhar diretamente para o Imperador também facilita que ele não seja reconhecido.

Apesar de seu poder e comando incontestáveis o Imperador não costuma se envolver em questões mundanas o que deixa o controle das ilhas para os chefes dos clãs.

Grupos de Poder

Os clãs são os detentores do poder sendo o clã do dragão o maior e mais poderoso, mas não o único. Qualquer família pode criar seu próprio clã, basta que tenha suas terras e meios para defendê-la, afinal esse foi o principal motivo da organização desses grupos, proverem proteção aos agricultores contra monstros e outros perigos.

Diz a lenda que quando surgiu o Imperador, escolhido pelo deus dragão, cinco guerreiros foram selecionados para fazer sua guarda. Os cinco maiores e melhores guerreiros de todo o arquipélago.

Cada um deles possuía um estilo diferente de luta, inspirados na natureza os cinco guerreiros deram origem aos principais clãs: Víbora, Garça, Louva a Deus, Macaco e Tigre.

Com ataques rápidos, mortais e muita furtividade o clã da Víbora era especializado nas artes furtivas dos ninjas. Entretanto quando a ilha Sakay foi destruída por um imenso maremoto, o clã praticamente desapareceu, poucos restaram espalhados nas outras ilhas para manter viva sua filosofia.

Originalmente o clã da Garça era formado quase inteiramente por mulheres, guerreiras graciosas e mortais donas de grande velocidade e sutileza são o segundo grupo mais poderoso na ilha de Kondor, perdendo apenas pelo clã dominante do Dragão.

Hoje tanto homens quanto mulheres são do clã da Garça e sua honra é seu maior tesouro, por isso uma vez que tenha dado sua palavra o membro desse clã ira fazer tudo para mantê-la. São confiáveis e justos e por isso grandes aliados ao clã Dragão servindo como conselheiros ou braço armado quando necessário.

Até a destruição do clã da Víbora, o clã do Louva a Deus era o menor. Suas terras e sua área de atuação principal ficam na ilha de Kondor. Reconhecidos como sábios e guias espirituais é comum encontrá-los como juízes em disputas legais ou como conselheiros, principalmente do clã do Dragão.

São os menos ambiciosos e mais interessados em questões espirituais o que faz deles grandes clérigos. Não se enganem os que acreditam que por essa postura espiritual os guerreiros do clã Louva a Deus são menos perigosos. Seus ataques são precisos e não é raro que vençam o inimigo com apenas um golpe.

Todos os clãs possuem samurais, mas nenhum possui o porte e garbo dos samurais do clã do Macaco. Nobres e disciplinados são grandes diplomatas e muito inteligentes, considerados estrategistas sem igual.

Foram generais do clã do Macaco que planejaram toda a campanha militar contra Selton , em Torkstone, que terminou com a vitória kondoriana.

Também não é por acaso que o clã conquistou e mantém toda a ilha de Akamine sob seu comando, são considerados justos, mas também implacáveis, sendo admirados e temidos.

O clã do Tigre prova o quão mortal e perigoso pode ser a combinação de ferocidade com disciplina. Com sua força eles dominaram a ilha de Haraguni e seu controle não é questionado nem ameaçado por ninguém.

Durante a guerra em Torkstone foi o clã do Tigre quem comandou e executou as campanhas planejadas pelo clã do Macaco. Dessa guerra surgiu uma grande parceria entre os dois clãs, embora suas disputas e desavenças não tenham sido esquecidas, saídas diplomáticas e acordos que beneficiam ambos, têm sido mais frequentes.

Religiao

Apesar de ter conhecimento sobre os panteões venerados no continente, os kondorianos seguem apenas ao deus dragão, que os Pesquisadores acreditam seja uma interpretação do deus Kiros, mas não há consenso quanto a isso.

Para Kondor o deus não possui nome e não precisa, visto que é o único. Ele reina supremo sobre todos os espíritos.

De acordo com a religião deles o Imperador é uma espécie de avatar ou representante direto, pois somente através dele é possível falar com a divindade.

É comum no dia a dia o povo invocar e suplicar aos espíritos para que lhe concedam favores, os espíritos são tão diversos quanto os deuses: espírito das águas, das chuvas, do fogo, da colheita, dentre uma infinidade de outros.

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Vicente Tavares

Um velho de 80 anos preso em um corpo de 30. Escritor há vários anos, publicou entre outros trabalhos o livro Ciclo Vicioso. Seus outros textos também podem ser encontrados em seu site pessoal.

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